Estresse Fisiológico no Calor

Atividades Físicas 14Dec08

Uma manhã de domingo ensolarada é muito convidativa para quem gosta de fazer exercícios físicos ao ar livre. Pelo menos uma corridinha em volta da represa, na praia ou mesmo nas ruas do bairro sempre acontece. Cuidado!!! Sol e exercício, dependendo da intensidade de ambos podem se tornar uma combinação perigosa, nós seres humanos toleramos variações relativamente pequenas em nossa temperatura interna (central), tanto para o frio como para o calor, mas neste artigo nos concentraremos no calor.

O calor gerado pelos músculos utilizados durante o exercício pode elevar a temperatura interna (central) até níveis febris que poderia incapacitar uma pessoa se isso fosse causado apenas por um estresse externo induzido pelo calor. Aqui surge uma questão: Como os maratonistas e os triatletas participam de provas de longa duração em baixo de sol e continuam vivos?! A resposta é simples, indivíduos com boa aptidão aeróbia podem trabalhar por períodos mais longos em ambientes extremamente quentes e tolerar níveis mais altos de temperatura que aqueles com menor aptidão ou sedentários. Além disso, possuem acompanhamento com fisiologistas e treinadores que controlam a sua alimentação e HIDRATAÇÃO (manutenção dos líquidos corporais e seus componentes). Resumindo, menos de 1% da população mundial se enquadra neste perfil (atleta preparado) e com certeza a porcentagem de pessoas que saem pelas ruas correndo é maior que a mesma, cuidado atletas de final de semana!!!

A prática de exercício sob altas temperaturas favorece a desidratação (perda de líquido corporal causando hipoidratação), porque o calor impõe uma demanda às reservas líquidas do corpo ocasionando transpiração excessiva reduzindo o volume plasmático. Isso causa insuficiência circulatória e nos casos extremos a temperatura central sobe até alcançar níveis letais.

A forma mais efetiva de minimizar os riscos da hipertermia (super elevação da temperatura corporal) é criar o hábito de fazer uma boa hidratação. Um atleta ou mesmo um praticante de exercícios físicos bem hidratado, consegue se exercitar num nível mais alto que um outro que se exercita em estado de desidratação. A ingestão de uma quantidade levemente “extra” de água aproximadamente 10 minutos antes de exercitar-se no calor pode proporcionar uma pequena proteção termorreguladora, retardando a hipoidratação e acarretando uma elevação menor na temperatura central, porém, não descarta a necessidade de reposição hídrica contínua durante o exercício.

A quantidade de líquido a ser ingerida antes, durante e após o exercício é relativa, ou seja, não existe uma receita universal. Cada indivíduo possui um determinado peso corporal e uma capacidade de retenção hídrica individual, além disso, a necessidade de ingestão hídrica varia para o mesmo indivíduo em dias diferentes devido às variações climáticas e na intensidade do exercício. O indicado é que a perda hídrica durante o exercício não chegue a 2% do peso corporal. Portanto hidrate-se!!!

Thiago Montechiesi é Coordenador e Avaliador Físico na Academia Total Sport em Vinhedo/SP e também Distribuidor Independente de Produtos de Nutrição.

Obesidade Infantil, Uma Grande Preocupação

Recomendações Médicas 11Jun08

Obesidade Infantil

O número de crianças com excesso de peso nos Estados Unidos e em muitos países industrializados TRIPLICOU nas últimas duas décadas. A obesidade infantil passou a ser não só um problema de saúde pública como gerou outros fatores graves entre crianças e jovens: o desajuste social e distúrbios emocionais. No Brasil, de acordo com levantamento do IBGE, 10% das crianças e adolescentes têm sobrepeso e 7,3% (cerca de um milhão e meio de crianças e adolescentes) são obesas.

A genética é só um fator
Entre os americanos, os afro-descendentes são, ao lado dos latinos, os que apresentam maior índice de obesidade infantil. Em geral são as camadas de classe média baixa onde o maior lazer ainda é a farta mesa dos restaurantes de fast food. Não há dúvida que pais obesos tendem a gerar crianças obesas, seja por direta influência genética, seja por exemplo de “glutonice”. Enquanto não deciframos os genes que nos empurram para a obesidade, melhor é prevenir.

Comida fácil e errada, em casa e nas escolas
Com o problema instalado é normal e compreensível que se busque os motivos, os culpados, a origem de tudo. Claro que a causa número 1 é o excesso de nutrição, principalmente aquela sob forma de comidas pré-preparadas, com excesso de gordura e muito carboidrato. Vivemos em uma sociedade onde os pais, por trabalharem demais, têm pouco ou nenhum tempo para supervisionar o preparo da alimentação e as refeições de seus filhos. Muitas crianças ficam “livres” para escolher alimentos fast food (pizza), fáceis de preparar (pipoca) e doces, bolos, chocolates, sorvetes, refrigerantes disponíveis na geladeira.

Na escola as guloseimas supercalóricas estão disponíveis na cantina, favorecendo a gulodice, entupindo a criança com salgadinhos, batata frita e embutidos gordurosos. Mesmo as crianças que têm o privilégio de receber em casa uma educação alimentar adequada dificilmente conseguem resistir ao apelo de experimentar o que a “turma” está comendo e bebendo. Imagine as que não têm supervisão dos pais?

A força da indústria de alimentos
Não é fácil resistir. Se os adultos já não conseguem, as crianças são vítimas ainda mais vulneráveis. As porções servidas aos pequenos fregueses em lanchonetes e cantinas são cada vez mais vistosas e atraentes, mas também são maiores e mais calóricas. A televisão tem uma força extraordinária neste campo: “Mãe compra estes salgadinhos! Olha, mãe, o hambúrguer com uma montanha de batatas fritas está em promoção” e por aí vai. No supermercado a criança se deslumbra com os chocolates da páscoa, com o panetone do Natal, com os novos tipos de sorvetes, com o enorme tamanho da barra de chocolate! Este assunto é tão sério que a ONG “Intenational Association for Study of Obesity” lançou uma campanha na União Européia para proibir anúncios atraentes de produtos que possam causar excesso de peso às crianças.

A falta de exercício físico e espaço para brincar
Todo adulto compara a infância do filho com o tempo em que ele próprio era criança. É comum fazer-se comparações do tipo: “No meu tempo de criança corríamos atrás da bola e dos balões, jogávamos bola na rua, andávamos de bicicleta pelo bairro, vivíamos praticando esportes”. Hoje os jogos eletrônicos prendem a criança em casa. Elas ficam horas e horas jogando o hipnótico “game”, comendo salgadinhos, batatas fritas e pipoca. Todos sabemos que o fato de passar horas na frente de uma televisão está diretamente relacionado com excesso de peso infantil.

Mas essa não é opção da criança. É uma característica da vida atual. O fato de parte substancial da população viver em espaços residenciais restritos, sem acesso a parques, sem praticar esportes nos clubes, sem andar pelas ruas, faz com que a criança se acostume com a inatividade.

Algo já está sendo feito, mas ainda é pouco
No Rio de Janeiro o prefeito proibiu que as crianças de Escolas Públicas tivessem acesso a alimentos “engordativos” substituindo-os por frutas, sucos naturais e preparações menos calóricas. Tal exemplo foi seguido por Florianópolis, Belo Horizonte e Porto Alegre. É um bom começo e sem dúvida irá ajudar na prevenção à obesidade infantil. É preciso ainda que escolas, professores e programas educativos na televisão invistam em divulgar, de uma forma apropriada à idade, os princípios de Nutrição Saudável. A informação é um caminho eficiente também para os pequenos.

A responsabilidade das autoridades
Não podemos aceitar a prevalência de 16% das crianças com obesidade e que 31% estejam com excesso de peso. O esforço conjunto de autoridades escolares, o esclarecimento dos pais, a persuasão positiva do marketing de alimentos saudáveis aliados a campanha governamental contra a obesidade e a inatividade física irá levar a resultados lentos, mas positivos. Vale a pena lembrar que 50% dos adultos com obesidade foram crianças obesas.

Fonte: Revista Veja
Escrito por Geraldo Medeiros, Médico endocrinologista e Professor da USP

E o que nós podemos fazer??

Basicamente duas coisas. Vejam:

  • Inclusão de Alimentos Saudáveis nas Refeições
    Alimentos saudáveis além de receitas leves e naturais são um ótimo começo. Embora, possa haver resistência por parte da criança, após alguns meses seu paladar começará a mudar e a reeducação alimentar será assimilada com maior naturalidade.
  • Incentivar a Prática de Atividades Físicas
    Ao incentivar a prática de atividades físicas os pais podem enfrentar algum tipo de resistência por parte da criança, que geralmente tem uma performance inferior à de seus colegas. Estimular a prática do esporte pode facilitar a formação de vínculos sociais. Além disso, os pais devem estar atentos para não sobrecarregarem a criança, exigindo que ela faça mais atividades físicas do que é capaz de suportar. O esporte deve ser uma fonte de prazer e não de tensão.

Como se nota, ainda que a constituição genética de uma criança favoreça a obesidade, há muito o que os pais podem fazer para evitar que o problema se instale. Investir na reeducação alimentar e no fim do sedentarismo de seu filho é um esforço que poderá poupá-lo de grande sofrimento na vida adulta.

A Pirâmide Alimentar

Alimentação 24Apr08

Você já se deparou com a seguinte cena: passar por um drive-through e ter um belo fast-food como almoço, dentro do carro, no meio do trânsito. Provavelmente sim! Talvez até tenha sido você mesmo dentro do carro comendo apressado.

A vida moderna acelerada nos impulsiona às facilidades até mesmo do campo da alimentação. Cenas como essa às vezes podem ser inevitáveis. O problema maior é quando isso se torna um hábito e, a longo prazo, traz prejuízos incalculáveis à nossa saúde, como a obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol elevado e doenças do coração. Como ter então uma alimentação balanceada?

Saber como deve ser uma alimentação equilibrada abrange basicamente três pontos fundamentais: (1) qualidade, (2) quantidade e (3) horário. Ou seja, a variedade de alimentos que se consome, a quantidade consumida desses alimentos e a distribuição desses alimentos ao longo do dia.

Seguir esses pontos é o grande desafio para a maioria das pessoas. A Pirâmide de Alimentos é um guia geral de como deve ser nossa alimentação diária. Como ela nos ajuda?? Na pirâmide, os alimentos estão dispostos em grupos de acordo com as principais características de cada um, da seguinte forma:

  • Pães, cereais, tubérculos e raízes: arroz, pães, biscoitos, massas, batata, mandioca, e farinhas em geral (fontes de carboidratos)
  • Frutas: (fontes de vitaminas, minerais e fibras)
  • Verduras e legumes: (fontes de vitaminas, minerais e fibras)
  • Leguminosas: feijão, lentilha, soja (fontes de proteínas, minerais e fibras)
  • Leite e derivados: leite, iogurte e queijos magros (fonte de proteínas e minerais)
  • Peixes, carnes, aves e ovos: (fontes de proteína, vitamina e minerais)
  • Óleos e gorduras: (fontes de gorduras)
  • Açúcares e doces: (fontes de carboidratos)

Pirâmide AlimentarNa Pirâmide de Alimentos, cada divisão apresenta um grupo de alimentos. Ela nos orienta porque quanto mais próximos do topo da pirâmide ou no topo, menor deve ser o consumo daquele grupo. Os alimentos de um grupo não substituem os alimentos de outro.

Nossa alimentação diária deve conter de todos os grupos da pirâmide. Mas atenção!! A porção de cada grupo de alimentos varia, e a quantidade que deve ser ingerida é estabelecida de acordo com as necessidades nutricionais de cada pessoa segundo a idade, sexo, peso, altura, prática de atividade física e intensidade. Consulte um nutricionista para saber quais suas necessidades!!

Pirâmide de Alimentos adaptada à população brasileira;
Fonte: Phillipi et al, 1996.

Flavia Santana
Nutricionista formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP

Alimentos Funcionais

Alimentação 24Apr08

Muito tem se falado recentemente sobre nutrição funcional e alimentos funcionais. Mas o quem vem a ser, quais são e para que servem?

Alimentos funcionais são alimentos ou substâncias presentes nos alimentos, que além da função básica de nutrir promove algum benefício extra a saúde. De modo geral, agem melhorando o sistema imunológico, protegem o organismo da oxidação causada pelos radicais livres, previnem doenças cardíacas e câncer.

Só podem ser considerados alimentos funcionais se tiverem uma ação comprovada de prevenção ou melhora de enfermidades.

Uma alimentação rica e variada em frutas, verduras, legumes e cereais engloba uma série de alimentos funcionais. Dê uma olhada em alguns:

  • Soja (isoflavona): ameniza os sintomas da menopausa; reduz níveis de colesterol; auxilia na prevenção de osteoporose e vários tipos de câncer.
  • Tomate (licopeno): potente antioxidante, com poder de prevenir câncer em diversas partes do corpo.
  • Repolho, couve, couve-flor, couve-de-bruxelas, brócolis (glicosinolatos): previnem câncer de bexiga e mama; inibem o desenvolvimento de tumores em geral.
  • Alho (alicina): quando triturado ou esmagado, auxilia na prevenção de alguns tipos de câncer, reduz a pressão sanguínea e os níveis de colesterol. Também age protegendo o organismo de doenças infecciosas.
  • Frutas cítricas: reduzem a taxa de colesterol e possuí vitamina C, potente antioxidante.
  • Uvas e vinho (resveratrol): a casca da uva e o vinho reduzem o risco de doenças cardiovasculares e previnem o aparecimento de câncer em geral. O vinho deve ser consumido em pequenas doses, pois álcool em excesso prejudica gravemente o organismo.
  • Cereais integrais: ricos em fibras e selênio, reduzem o colesterol e o risco de desenvolver câncer.
  • Verduras e folhas em geral: ricos em fibras insolúveis, melhoram o funcionamento intestinal e reduzem a incidência de câncer.
  • Chá verde (Camellia sinensis): contem antioxidantes que combatem o câncer e retardam o envelhecimento; reduz os níveis de colesterol.
  • Peixes (ômega-3): reduz o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e atua na prevenção de vários tipos de câncer.
  • Leite e derivados: o cálcio previne osteoporose e câncer de cólon; iogurtes possuem também probióticos, que protegem o intestino, melhoram seu funcionamento e controlam os níveis de colesterol.

Atualização: Participei de uma palestra sobre Alimentos Funcionais para os funcionários da Petrobrás, e gostaria de complementar este post com a apresentação utilizada:

Andrea Del Bianco
Nutricionista formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP

Alimentação para a Prática de Atividade Física

Alimentação, Atividades Físicas 16Apr08

Alimentação para a Prática de Atividade FísicaOk, você já pratica atividade física. Muito bem!! Mas como se alimentar para aproveitar melhor os benefícios que a atividade física proporciona?

A maioria dos praticantes de atividade física deve seguir as recomendações de porções da Pirâmide para Alimentação Saudável, atentando para os horários dos treinos. Se você se exercita em nível moderado (caminhada, corrida, musculação, natação, futebol, etc) por até 2 horas por dia, fique atento a estas orientações:

  • Realizar de 3 a 6 refeições ao dia;
  • Tomar cerca de 2 litros ou 8 copos de água por dia;
  • Aumentar o consumo de legumes, verduras cruas; consumir 3 porções de frutas ao dia e 2 a 3 porções de leite ou derivados magros;
  • Evitar o consumo de frituras.

Antes da atividade física, lembre-se:

  • Coma alguma coisa! Praticar qualquer atividade em jejum aumenta os riscos de tonturas decorrentes da hipoglicemia, cãibras e lesões. Se você tiver comido há mais de 2 horas, dê preferência para frutas ou sucos naturais. Eles fornecerão a energia que você precisa e não causarão desconforto intestinal.
  • Hidrate-se!! De 1 a 2 copos de água, chá ou suco natural. Durante a atividade, procure tomar um copo a cada 15 minutos.

Ao final, além da água, procure consumir uma fonte de carboidratos para repor a energia, que pode ser um suco natural ou fruta, barrinha de cereal, ou ainda alguma bebida isotônica.

Quem pratica mais de 2 horas ao dia, ou atividade intensa, deve procurar orientação personalizada. Nestes casos, as medidas adotadas vão variar de acordo com a modalidade, o horário de treino, pré competição e recuperação pós competição. Também é avaliada a necessidade de suplementação.

Andrea Del Bianco
Nutricionista formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP

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