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Prefira Correr na Grama

Atividades Físicas, Recomendações Médicas 04May09

Além de fortalecer as pernas, correr na grama previne lesões, afinal a corrida é composta de movimentos cíclicos e repetitivos. Tais movimentos provocam milhares de choques dos pés contra o solo, que, em respeito à lei da física, de ação e reação, responde com igual força em sentido contrário aos membros inferiores e coluna. Quanto mais longa a distância, maior a força exercida.

Prefira Correr na Grama

Em uma corrida de 15 km, sofremos 5.000 impactos em cada perna, totalizando 10.000. E isso será por demais agravado se realizado em solo duro, como asfalto e cimento, e com tênis inadequados.

Estudos apresentados no American College Sports of Medicine, demonstram que o piso gramado pode reduzir em até 80% o impacto das passadas durante a corrida. Nos Estados Unidos, os atletas de elite fazem seu aquecimento (warm-up) antes dos treinos de pista, em uma outra pista de grama, construída especialmente para este fim.

O piso gramado, por ser macio, favorece o fortalecimento das pernas (em geral). Já o piso de asfalto, devido ao solo duro, predispõe o corredor a micro lesões, podendo até comprometer o seu futuro.

Asfalto, só para competições ou treinos específicos de ritmo, mas com tênis bem acolchoado. Saiba que muito treino em asfalto pode lhe deixar lento e com a musculatura atrofiada (encurtada), devido aos movimentos repetitivos.

Cuidado se você estiver acima do seu peso ideal (mesmo que seja “apenas 5 quilos”), opte por correr em grama, para evitar o risco de uma sobrecarga nos joelhos e coluna.

Após uma competição em prova pedestre (asfalto), faça a sua recuperação em grama e sinta o alívio que este tipo de piso lhe proporcionará para a musculatura de suas pernas.

Outro fato interessante, quando se corre no piso gramado, há uma tendência a reduzir o ritmo, o que é ótimo para a melhoria do sistema cardiorespiratório, queima de gordura e ganho de resistência.

Escolha um piso gramado e boas corridas.

Hidroginástica – Exercite-se até Dentro da Água

Atividades Físicas 04Nov08

A Hidroginástica melhora a capacidade aeróbia, resistência cardiorrespiratória, força muscular, flexibilidade e o bem estar geral, além de queimar muitas calorias – em média 400 Calorias em 1 hora.

Dores nas costas e articulações como joelhos e tornozelos, são normais depois de algum tempo praticando exercícios, o nosso corpo começa a sentir os efeitos do impacto. Se o seu corpo está se ressentindo, não é preciso parar de fazer atividades e sim descobrir algumas alternativas para continuar em forma.

Uma boa alternativa são os exercícios aquáticos. Mesmo que você não goste de nadar ou não saiba, ainda assim, dá para praticar a hidroginástica, pois a maior profundidade que você vai ter que encarar será até os ombros. Seu rosto vai ficar borrifado, mas você não vai se afogar porque não terá que mergulhar a cabeça na água.

A hidroginástica pode ser praticada por homens, mulheres, jovens e idosos que buscam se exercitar; pessoas ocupadas e que tem pouco tempo para fazer exercícios, atletas em treinamento, gestantes, pessoas que estão se recuperando de alguma lesão, magros, gordos, pessoas com algum tipo de deficiência e aqueles que querem uma outra opção para os seus programas normais de exercícios.

Os efeitos das propriedades da água em nosso corpo são:

Temperatura

Uma das características mais óbvias da água é a sua temperatura. A faixa entre 25º C e 29º C (se a temperatura for muito baixa pode ocorrer a hipotermia – pela queda de temperatura, se for alta pode causar moleza) é confortável para a hidroginástica, mas se for usada como hidroterapia e com fins terapêuticos, a temperatura pode ser outra. A exposição à água na temperatura adequada para a hidroginástica aumenta as qualidades elásticas dos nossos músculos, ajudando a ampliar a nossa faixa de movimento, prevenindo danos aos músculos devido também ao relaxamento que a água oferece.

Pressão

A contribuição básica da pressão da água é que ela estimula a circulação e faz o aparelho respiratório trabalhar mais. Estes efeitos aumentam a sobrecarga do corpo, melhorando a resistência muscular.

Flutuação

Pessoas com excesso de peso ou com problemas específicos que dificultam o movimento em terra, descobrem que a flutuação permite que estas pessoas possam se exercitar com facilidade, pois um corpo imerso num fluído é sustentado por uma força igual ao peso do fluído deslocado pelo corpo. É por isso que você flutua na água. A flutuação também evita o impacto nas articulações.

Resistência

A água oferece uma resistência ao movimento, produzindo um efeito de sobrecarga, como se você estivesse trabalhando com pesos. Esta resistência é notada deslocando o braço com a palma da mão aberta pela água.

Massagem

Este é um benefício agradável que a hidroginástica pode oferecer através da resistência e pressão da água sobre as partes do corpo. Além do efeito suavizante sobre os músculos, a massagem oferecida pela água ajuda a aumentar a circulação periférica do sangue e evita que a pessoa fique dolorida depois.

A hidroginástica é uma atividade divertida, onde há uma grande interação durante a aula com outras pessoas onde até aqueles que são envergonhados acabam se soltando e eliminando a inibição.

Exercícios aquáticos são ótimos para ajudar na reabilitação, onde as atividades podem ser adaptadas às necessidades individuais, pois as qualidades terapêuticas da água podem ajudar e muito no processo de cura. Mas é sempre importante fazer uma avaliação física antes de iniciar as atividades.

Como escolher uma atividade física adequada

Atividades Físicas, Esportes 28Aug08

Escolha uma atividade física que tenha tudo a ver com você!

Escolha uma atividade física que tenha tudo a ver com você!

Desta vez quero tentar responder a uma pergunta que muitos alunos me fazem: “Qual é o esporte ideal para mim?” Costumo dizer que o esporte “ideal” ou “melhor” não existe. Talvez haja apenas o mais adequado às limitações e gostos de cada um. De qualquer modo, acredito ser bastante útil comparar as principais características, benefícios e outras variáveis das modalidades. Essa comparação, que pode ser feita na tabela abaixo, deve ajudar o leitor a escolher com maior clareza as atividades físicas que pretendem praticar. Aí vai:

Modalidade Faixa Etária Indicada (anos) Principais Benefícios Principais Riscos
Atletismo (Velocidade/ Saltos) 15-35 Melhora da coordenação, Equilíbrio,
Ganho de massa muscular, explosão
Lesões musculares
Basquete 08-70 Melhora da agilidade,coordenação, explosão, trabalho em equipe Lesões traumáticas, principalmente entorses de tornozelo
Corrida
(Fundo)
25-90 Melhora da capacidade cardiorespiratória Lesões por excesso de uso, como tendinopatias (tendinites)
Ciclismo 25-70 Melhora da capacidade cardiorespiratória, resistência muscular Lesões por excesso de uso, como tendinopatias (tendinites)
Dança 06-70 Melhora da agilidade, coordenação, flexibilidade, capacidade cardiorespiratória, trabalho em equipe Lesões por excesso de uso
Futebol 08-50 Melhora da agilidade, coordenação, capacidade cardiorespiratória, explosão, trabalho em equipe Lesões musculares e traumáticas
Ginástica Localizada 30-60 Melhora da força, resistência muscular Lesões por excesso de uso, como tendinopatias (tendinites)
Lutas 12-60 Melhora da agilidade, coordenação, explosão, força muscular, flexibilidade e capacidade cardiorespiratória Lesões por excesso de uso e traumáticas
Musculação 25-90 Melhora da força, resistência muscular Lesões por excesso de uso
Natação 04-90 Melhora da capacidade cardiorespiratória, capacidade pulmonar Lesões por excesso de uso, como tendinopatias (tendinites)
Pilates 18-80 Mellhora da consciência corporal, força e resistência muscular (principalmente tronco) Lesões musculares (raras)
Tênis 06-70 Melhora da agilidade, coordenação, explosão Lesões por excesso de uso e musculares
Treinamento Funcional 25-80 Melhora da agilidade, explosão, coordenação, força e resistência muscular Lesões por excesso de uso e musculares
Triatlo 12-70 Melhora da capacidade cardiorespiratória, capacidade pulmonar, resistência muscular Lesões por excesso de uso e traumáticas, principalmente por causa do ciclismo
Voleibol 08-60 Melhora da agilidade, coordenação, equilíbrio, explosão, trabalho em equipe Lesões musculares e traumáticas, principalmente entorses de tornozelo
Yoga 30-90 Mellhora da consciência corporal, flexibilidade. força e resistência muscular geral Lesões musculares (raras)

Vale lembrar que a tabela não contempla todas as atividades físicas existentes e se propõe a dar apenas uma visão geral sobre as modalidades mais comentadas pelos próprios leitores. O risco de lesão é inerente à prática esportiva e não necessariamente implicará no surgimento de alguma enfermidade. Da mesma forma, os benefícios destacados são os mais predominantes, mas podem ocorrer melhorias em outros aspectos em maior ou menor grau.

Sobre as faixas etárias, o objetivo é aconselhar a faixa na qual o praticante desfrutará ao máximo dos benefícios em relação aos riscos. Por último, repito que o mais importante é que as pessoas se movimentem, que realizem diversas atividades físicas semanalmente, de preferência com freqüência diária e, se possível, após terem sido examinadas por um médico e devidamente acompanhadas por um professor de educação física. Mexa-se!

Quando o Exercício Pode Fazer Mal

Atividades Físicas, Recomendações Médicas 03Jul08

Quando o Exercício Pode Fazer Mal

Com os Jogos Olímpicos se aproximando, cresce a curiosidade sobre o desempenho de nossos atletas em uma cidade tão poluída quanto Pequim. Como será correr as provas de fundo, como os 5.000 metros, os 10.000 metros e principalmente a maratona? Aliás, é prudente correr quando a poluição se encontra em níveis tão elevados? Há algumas semanas boa parte do país enfrenta condições ambientais desfavoráveis para a dispersão de poluentes – o que é comum neste período do ano. Afinal, devemos ou não fazer exercícios quando o ar está poluído?

Atividades físicas em dias de muita poluição

Uma excelente revisão sobre este assunto foi feita por um grupo de pesquisadores australianos. Eles chegaram à conclusão de que não é recomendável exercitar-se se a poluição estiver elevada, pois há risco de agravar doenças respiratórias como a asma e até mesmo de provocar problemas cardíacos. Isso ocorre porque, com o exercício, há um aumento na ventilação (respiração) e na circulação sangüínea. Além do aumento da oferta do oxigênio, há também um aumento do transporte dos poluentes para o organismo, que podem atingir níveis tóxicos e potencialmente danosos à saúde.

Os riscos para pulmão e coração

Um outro fator que os autores apontam para explicar os perigos de praticar esportes em ambientes poluídos se deve ao fato de que, durante a atividade física, respira-se mais pela boca do que pelo nariz, perdendo uma espécie de proteção quando se respira pelo nariz. Por exemplo, em um dos inúmeros estudos citados por esta revisão bibliográfica, um grupo de corredores aumentou significativamente os níveis de toxinas originadas pela inalação de poluentes, em uma simples corrida de trinta minutos.

Então o que fazer?

Os estudiosos sugerem que o exercício seja feito logo cedo pela manhã, preferencialmente em áreas com menor circulação de veículos, como parques e outros locais mais afastados das vias principais de trânsito. Aos que moram em grandes centros urbanos, portanto, é bom evitar os corredores de tráfego.

Quando o Inverno Chegar…

Atividades Físicas 16Jun08

Quando o Inverno Chegar...

O inverno está chegando e com ele vêm a preguiça e os excessos alimentares. O fato do corpo estar menos exposto durante essa estação, faz com que muitos deixem de lado a preocupação com os exercícios físicos e a alimentação. O resultado já conhecemos: os ponteiros da balança vão lá para cima. Algumas pesquisas já comprovam que há uma tendência de terminar o inverno com, em média, dois a cinco quilos a mais.

Achamos que temos mais fome

No inverno nosso organismo gasta mais energia para a manutenção da temperatura corporal. E na prática há muita gente que sente mais fome neste período. O aumento do gasto energético, porém, não é suficiente para justificar o aumento da ingestão de calorias. Acredita-se que no Brasil, onde o inverno é mais ameno, esse aumento não chegue a 10% do gasto diário calórico para manter o organismo funcionando. O que não serve de desculpa para aqueles que acabam exagerando e se entupindo de chocolates quentes, sopas cremosas ou foundes.

A preguiça é outra armadilha

Nós, treinadores e profissionais de Educação Física, estamos acostumados a ver o sumiço de boa parte dos alunos quando o frio começa a chegar. A maioria das pessoas tende a diminuir – às vezes até a suspender — a freqüência semanal de exercícios. Basta os termômetros registrarem temperaturas mais baixas, para que muitos interrompam a ida à academia ou deixem de fazer suas caminhadas diárias. No inverno, grande parte das pessoas se torna mais preguiçosa para a prática de esportes e acaba preferindo o cobertor, a lareira, um bom filme, e….. um belo saco de pipocas. Está armada a grande arapuca para o sofrimento que virá à tona no começo no verão. Quilos a mais e o corpo totalmente fora de forma.

Os índices de desistência

Um estudo com mais de 300 praticantes de atividades físicas no Brasil revela um dado decepcionante: cerca de 50% das pessoas que começam a praticar atividades físicas abandonam o hábito após um período de seis meses a um ano. Geralmente isso ocorre na época das estações mais frias como outono e inverno. Portanto, fica aqui um alerta: muito cuidado com edredom e a pipoca. Cuide da alimentação, não exagere na gordura e nos doces, e – principalmente – não desista dos exercícios físicos. O inverno também pode ser uma ótima temporada para a prática de esporte. Descubra o jeito de aproveitá-lo de forma saudável.

Aptidão Física é Fator que Prediz Longevidade em Idosos

Recomendações Médicas 28May08

Natação é um dos melhores esportes para a terceira idade!

Ser fisicamente ativo após os 60 anos ajuda a viver por mais tempo, independente da quantidade de gordura existente no corpo, segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Association de dezembro de 2007.

Embora pesquisas prévias tenham sugerido que a obesidade e a inatividade física podem aumentar o risco de morte para pessoas de meia idade, não está claro se isto também é verdade para idosos. Em uma nova pesquisa, o Dr. Xuemei Sui e colaboradores da Universidade da Carolina do Sul estudaram as associações entre aptidão física, gordura e mortalidade em idosos.

Foram acompanhados, ao longo de 12 anos, mais de 2600 homens e mulheres com 60 anos ou mais que participaram do estudo longitudinal denominado Aerobics Center Longitudinal Study, financiado pelo NIH’s National Institute on Aging (NIA) e pelo National Heart, Lung and Blood Institute (NHLBI). Os participantes caminharam em esteiras elétricas para determinar sua aptidão física. Os níveis corporais de gordura foram medidos pela circunferência abdominal, percentual de gordura corporal e índice de massa corporal.

Durante o período de acompanhamento, morreram 450 participantes. Eles eram geralmente mais idosos, tinham baixo percentual de gordura corporal, faziam pouca atividade física e tinham mais fatores de risco cardiovasculares (hipertensão arterial, colesterol alto e diabetes) do que os sobreviventes. O percentual de gordura corporal não parece estar relacionado ao risco de morte. Entretanto, maior aptidão física, menor índice de massa corporal ou menor circunferência abdominal reduzem este risco.

Os pesquisadores agruparam os participantes em 5 categorias baseadas em seus níveis de aptidão física. O grupo com menor aptidão física teve uma porcentagem de morte 4 vezes maior do que os mais aptos. Os pesquisadores sugerem que as pessoas não precisam ser magras para se beneficiar de atividades físicas regulares. O segredo para um envelhecimento saudável é ser fisicamente ativo, independente do seu peso corporal.

Fonte: news.med.br

Antes de Escolher um Tênis de Corrida

Acessórios e Equipamentos 16May08

O tipo de pé e de pisada determinam o melhor tênis para correr. Mas qual é o seu tipo?? Basicamente existem três formatos de pé: plano, normal e côncavo. As correspondentes formas de pisada são: pronador, normal e supinador. Estes são os dois fatores principais que se deve levar em consideração na hora de escolher o tênis, dando atenção ao formato do solado, ao amortecimento, estabilidade e flexibilidade.

Para saber qual seu tipo de pé, faça o Teste do Pé Molhado!
Clique nas imagens para ampliá-las:

Teste do Pé Molhado

Após o teste, compare com os 3 desenhos abaixo, para saber com que tipo de pé o seu mais se aproxima.

Tipos de Pisada

Os solados devem ser divididos em 4 tipos:
Plano: de pouca ou nenhuma curvatura, visa garantir estabilidade. Ideal para pronador acentuado.
Semiplano: a curvatura é leve por todo o solado, permitindo pequeno grau de flexibilidade, mas maximizando a estabilidade. Ideal para pronador moderado.
Semicurvo: a curvatura é mais acentuada na parte da frente, garantindo flexibilidade e estabilidade. Ideal para quem pisa normal e supinadores.
Curvo: típico de modelos para competição, com curvatura bem definida por todo o solado. Ideal para supinadores.

Após essa análise, você terá informações suficientes para escolher o tênis de corrida ideal para você, considerando as seis qualidades básicas:
1. Conforto
2. Amortecimento
3. Flexibilidade
4. Estabilidade
5. Baixo peso
6. Solado resistente

Desta forma o calçado cumpre seu papel de proteger as articulações e minimizar a ocorrência de lesões de stress, que são as mais comuns entre os corredores.

Segunda-feira falaremos aqui no blog sobre os atuais tênis disponíveis do mercado. Fique ligado!

Fonte: Revista Contra-Relógio

Caminhe Antes e Depois Corra

Esportes 16May08

Caminhe Antes

Há uma orientação importante, principalmente aos corredores iniciantes, que muitas vezes é esquecida ou abandonada antes da hora. A importância de iniciar os treinos de corrida com caminhadas. O corpo humano em repouso precisa ser aquecido adequadamente para responder às exigências de uma atividade física de alta intensidade como a corrida. Não somos como um interruptor de luz que basta ligar ou desligar, certo? Então o melhor a se fazer é uma caminhada que comece de forma lenta e vá ficando mais rápida, por uns cinco minutos. Só depois disso deve-se começar a correr, com um trote leve.

Ao fazer isso estamos proporcionando um ajuste mais suave para o nosso corpo. Aliás, muita gente me conta que só se sente bem depois de dez ou quinze minutos de aquecimento. E isso está relacionado com a nossa necessidade de fazer um processo de adaptação mais gradativo no início da prática esportiva.

Claro que se a orientação vale para aquecer o corpo, ela também vale para desaquecê-lo. Ao fim de um treino ou de uma prova também devemos desacelerar o ritmo aos poucos e caminhar por alguns minutos em seguida. Terminar bruscamente uma corrida sobrecarrega o corpo. Muitos praticantes vão diminuindo a velocidade de corrida, mas param de correr e pronto. Seria melhor continuar caminhado por alguns minutos e então parar. Assim, todo o sistema cardiovascular consegue voltar ao normal de modo tranqüilo e saudável.

Mais Força

Atividades Físicas, Recomendações Médicas 24Apr08

Especialistas reavaliam recomendação mínima de atividades físicas e afirmam que gasto calórico não deve ser único fator considerado para alcançar benefícios.

Fazer uma caminhada leve três vezes por semana é o mínimo necessário para manter a saúde e se proteger de problemas como diabetes e osteoporose, certo? Errado. Divulgada neste mês, a nova diretriz da ACSM (American College of Sports Medicine) mostra que, para a atividade física ter efeito significativo sobre a saúde, é necessário suar a camisa.
Os exercícios aeróbicos devem ser praticados pelo menos cinco dias por semana, numa intensidade de moderada a intensa, e dois dias devem ser dedicados a atividades de fortalecimento muscular.

E nada de incluir nessa conta a ida até a padaria ou a faxina em casa: os 30 minutos de exercícios devem ser um adicional às atividades do dia-a-dia. Para quem acha esse ritmo puxado, uma observação: essa é a meta mínima. Quem quer emagrecer precisará malhar ainda mais. Além disso, ressaltam os pesquisadores, quanto maior a quantidade de exercícios, melhor para a saúde -especialmente em relação a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, osteoporose, obesidade, câncer de cólon e de mama, ansiedade e depressão.

“Muitos adultos saudáveis já podem começar a fazer meia hora de atividades de intensidade moderada -como caminhar aceleradamente- cinco dias por semana. Quem estiver muito fora de forma pode começar com dez ou 15 minutos de atividade por dia e aumentar progressivamente até alcançar os 30 minutos. De modo geral, as pessoas conseguem fazer uma sessão de meia hora em quatro ou seis semanas”, disse à Folha William Haskell, professor da Escola de Medicina da Universidade Stanford e coordenador da nova diretriz.

Principal entidade norte-americana de medicina do esporte, a ACSM elaborou o documento em parceria com a AHA (American Heart Association), com base em estudos realizados em todo o mundo, e suas orientações devem ser adotadas por diversos países, incluindo o Brasil. “Como temos poucos estudos no Brasil, não dá para nos basearmos em dados nacionais. O que existe são publicações de maior relevância científica como essa”, afirma Arnaldo José Hernandez, presidente da SBME (Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte).

Apesar dessa influência, o documento também tem recebido críticas. Teme-se, por exemplo, que a maior rigorosidade da orientação possa desestimular as pessoas a se engajarem num plano de atividades físicas. Outro argumento é que não há uma fórmula que valha para todo mundo, sem levar em conta características individuais.
“Não existe receita de bolo”, afirma Rene Abdalla, professor de ortopedia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador do Centro de Ortopedia e Reabilitação no Esporte do HCor (Hospital do Coração), em São Paulo. “Cada um tem o seu limite. O mais importante é a regularidade.”

Gasto calórico?

O estudo é uma atualização da diretriz lançada pela ACSM em 1995. Na época, afirma José Lazzoli, presidente eleito da SBME, acreditava-se que o fator mais importante na prática de exercícios era o gasto calórico semanal.
Isso levou a um conceito de “exercício como estilo de vida” -ou seja, pregava-se que pequenos hábitos no dia-a-dia, como a substituição do elevador pela escada, levariam a pessoa a alcançar a meta de gasto calórico e resolveriam o problema do sedentarismo.
Além disso, os autores do documento afirmam que alguns aspectos da diretriz de 95 foram mal-interpretados e, por, isso, a nova versão é mais explícita em suas recomendações, como a necessidade de exercícios de intensidade vigorosa.
De acordo com a nova diretriz da ACSM, pesquisas recentes mostram que exercícios de intensidade vigorosa são mais eficazes na redução de riscos cardiovasculares do que atividades de intensidade moderada, independentemente do gasto calórico.
Já a retenção de cálcio e o fortalecimento da massa óssea, importantes na prevenção da osteoporose, dependem do impacto sobre o osso durante o exercício -nesse sentido, correr é mais indicado do que fazer hidroginástica, diz Hernandez, na SBME. “Antes, a questão era fazer ou não fazer atividade física. Agora, a dica é: não parar o que você já faz, mas incluir atividades mais intensas.”

Musculação?

“Fazer uma caminhada leve três vezes por semana vai ajudar a controlar a pressão arterial, mas não tem efeito no controle do diabetes -a queima que ocorre é de gordura, e não mexe no consumo de açúcar pelo organismo”, explica Paulo Zogaib, professor de fisiologia e medicina do exercício da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Para ele, uma das mudanças mais importantes da nova diretriz é a introdução dos trabalhos de força muscular na lista de atividades básicas. O próprio diabetes tipo 2 serve como exemplo dos benefícios que advêm da junção dos trabalhos de fortalecimento muscular com os aeróbicos. “O exercício aeróbico queima pouco açúcar. Em compensação, ajuda a melhorar a sensibilidade dos receptores de insulina. Já a musculação aumenta a capacidade de o organismo metabolizar o açúcar”, afirma Zogaib.
Ainda segundo o médico, o fortalecimento muscular é especialmente importante para pessoas na terceira idade, já que, a partir dos 50 anos, tem início a diminuição dos hormônios anabólicos, com conseqüente perda da massa muscular. Segundo Lazzoli, da SBME, “não há nenhuma faixa etária que se beneficie mais do fortalecimento muscular do que a terceira idade”.

Idosos?

Terceira IdadeOutra novidade da diretriz são as recomendações específicas para a terceira idade e para essoas com limitações físicas. Segundo o trabalho, esse grupo também tem de se exercitar pelo menos cinco vezes por semana e fazer atividades de fortalecimento muscular.
“Além de aumentar a força física, a musculação melhora os sintomas de quem tem artrose e, por causar impacto, ajuda a manter a densidade óssea”, afirma Ricardo Cury, da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia).
Uma orientação específica da entidade para idosos são os exercícios de flexibilidade e de equilíbrio.
Sessões de alongamento devem ser realizadas ao menos dois dias por semana e sempre acompanhar a prática de uma atividade aeróbica ou de fortalecimento muscular. Segundo o documento, a atividade física pode reduzir o número de quedas em idosos em até 45%.
Mas, antes de o idoso dar início a qualquer exercício, os autores da nova diretriz recomendam a elaboração de um plano de atividades com um especialista. Isso é fundamental para que sejam levados em consideração os efeitos terapêuticos da atividade e os riscos relacionados a problemas crônicos. A dica vale mesmo para idosos saudáveis e sem problemas crônicos.

Exames?

Já adultos saudáveis não precisariam consultar um médico para seguir a recomendação mínima da diretriz, segundo informa o próprio documento. Os exames só seriam necessários para pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes ou outra doença crônica.
Segundo Haskell, coordenador do trabalho, trata-se de uma orientação populacional, e não específica. “O risco desses exercícios para um adulto saudável é muito baixo.”
“A filosofia dessas orientações populacionais é não criar muitas barreiras para a prática de exercício”, afirma Lazzoli. “Mas acho que é interessante fazer exames antes de iniciar qualquer atividade, já que os problemas cardiovasculares são, na maioria das vezes, doenças silenciosas.”
Outro ponto polêmico da diretriz é que ela não estabelece um limite máximo para a prática de atividades. Segundo o trabalho, esse dado não foi estabelecido porque varia muito conforme a idade, o sexo e a composição corporal, entre outros fatores. Mas os autores afirmam que exceder a recomendação mínima reduz o risco de doenças relacionadas à inatividade.
Alguns especialistas vêem essa orientação com preocupação. “Uma alta carga de exercícios traz não só vários benefícios mas também um alto risco de lesão”, afirma Cury, da SBOT.
Segundo Zogaib, é preciso ficar alerta a alguns sinais de excesso. “A pessoa não deve sentir dor, desconforto, falta de ar excessiva, náuseas, tontura -isso mostra que algo está errado”, afirma. Nesse caso, é preciso procurar um especialista que possa identificar o problema.
Para Abdalla, da Unifesp, mais importante que a intensidade ou o tipo de exercício é praticar atividades físicas com regularidade. Contrariando a nova diretriz, ele defende que fazer exercícios três vezes por semana “funciona muito bem”. O principal problema, afirma, está em ter um cotidiano sedentário e decidir se transformar em esportista a cada final de semana.

Amarílis Lage
Reportagem publicada na Folha de São Paulo de 30/08/2007

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